A vigília da caridade


JOSÉ GROSSO
Sou a caridade que caminha
Na noite fria de inverno que castiga
A rua está deserta é toda minha
Perambulo como um ser que investiga

O vento frio que corta
A neblina que estende a sua bandeira
O convite ao repouso fecha a porta
Cada lar possui um leito por fogueira

Dorme o magistrado inteligente
Descansa o trabalhador fatigado
Repousa o patrão de muita gente
Todos sob um teto bem telhado

Estou só nesta longa caminhada
Com o vento terei de dialogar
Esperem... vejo um vulto na calçada
Que parece enorme bola a trepidar

São quatro frontes pequeninas
Recostadas em dois braços maternos
São apenas cinco almas peregrinas
Que soluçam por um trapo neste inverno

Suplicaria a ti alma risonha
A migalha que te sobra no guarda-roupa
Mas para quem dorme e profundamente sonha
A CARIDADE mesmo aos gritos tem voz rouca.

 
Psicografia de Alvaro Basile Portughesi



Um comentário:

  1. Lindas e suaves páginas.
    Belas e doces palavras...
    Deixo-te abraços

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Obrigado por comentar. É uma enorme alegria tê-lo aqui! Abraço!