LÉON DENIS


Leon Denis



NA INTIMIDADE





BIOGRAFIA



Léon Denis nasceu a 1º
de janeiro de 1846 em Foug, pequena localidade da circunscrição de Toul
(França), na antiga província francesa da Lorena, atravessada pela grande
ferrovia Paris – Estrasburgo. Desencarnou em Tours a 12 de abril de 1927, aos 81
anos de idade.


Fez estudos doutrinários,
pesquisas mediúnicas, impulsionou o movimento espírita na França e no mundo e,
especialmente, aprofundou em suas obras o aspecto moral do Espiritismo.


Isso é o que deve despontar o interesse nesse grande vulto do Espiritismo; sua
obra, fruto de uma atividade contínua e infatigável, ao longo de uma existência
de mais de oitenta anos, exemplarmente vividos. Tal como Kardec, morreu
trabalhando.


A primeira grande obra de
Denis apareceu em 1890 sob o título Depois da Morte.


A 1ª parte do livro apresenta
as grandes religiões da Antiguidade. Na 2ª parte é exposta a filosofia espírita,
e nas duas partes seguintes faz uma abordagem do mundo invisível e sua
influência no mundo encarnado.



A 5ª parte é onde está
colocada a grande questão e eterna preocupação de Léon Denis, qual seja, a parte
moral, sob o título O caminho Reto, um pequeno tratado de virtude.


Neste livro, Léon Denis trata daquilo que sempre foi objeto de suas análises, o
problema do destino humano e procura solucioná-lo, explicando o porquê da vida.
Tarefa difícil, mas é nesse tópico que ele defende com convicção o Espiritismo,
como caminho de superação da angústia da razão do destino humano.


Cristianismo e Espiritismo apareceu em agosto de 1898. Léon Denis fez uma
correlação entre o Cristianismo e o Espiritismo, sendo este um delta onde
deságua aquele, abrindo, segundo Herculano Pires, as perspectivas de uma nova
fase de evolução espiritual do mundo.


Em 1903 publicou O Mundo Invisível com 500 páginas de texto. Todo adepto –
escrevia na introdução – deve saber que a regra por excelência das relações com
o invisível é a lei das afinidades e das atrações . . . A experimentação, no que
tem de belo e de grande, não é bem sucedida com o mais sábio, mas com o mais
digno, com o melhor, com aquele que tem mais paciência, mais consciência e mais
moralidade”.


Em outro livro, O Problema do Ser, do Destino e da Dor, de 1905, Léon Denis
antepõe o espiritualismo e o materialismo, numa época de negação ou afirmação
gratuitas, de uma metafísica do nada.


O Espiritismo, dizia ele, fornece o meio
de nos livrar da dúvida; ele mostra a evolução do pensamento intuitivo,
aparecendo a importância de Ciência em sua plenitude, pois o meio de atingir o
conhecimento só pode ser obtido pela ciência.


Em 1911 lança O Grande Enigma: O Deus e o Universo. Segundo Denis, a existência
de Deus não se demonstra como teorema, todavia deve ser concebida. Deus é
manifestado pelo Universo, que é a sua representação sensível, contudo não se
confunde com ele.


Outra faceta interessantíssima de Léon Denis se traduz na sua participação
intensa em congressos espíritas. Desde o Congresso Espiritualista Internacional
de 1889 onde Denis presidiu a comissão de propaganda.


Na verdade tratava-se de
um Congresso ecumênico, onde se misturavam adeptos de Kardec, de Swedenborg,
cabalistas, teósofos e os rosa-cruzes. Neste primeiro Congresso aconteceram
algumas desavenças teóricas, revelando-se Léon Denis como o mais seguro
mantenedor da tese Kardecista.



Quando o Congresso Internacional de 1900 aconteceu em Paris, Léon Denis foi
nomeado presidente. Fez a sessão de abertura, onde expressou sua confiança no
Espiritualismo Moderno, embora em seu seio se defrontassem certas teses, não
opostas, mas de tendências diferentes.


Em 1905, junho, aconteceu o Congresso de Liége (Bélgica), onde Léon Denis foi
presidente de honra e já era chamado de apóstolo. Ele expressou que os
congressos deveriam ocorrer em datas mais próximas, pois ele considerava
importante uma afirmação de vitalidade dos “nossos princípios e das nossas
crenças” (espiritualistas).


Bruxelas, de 14 a 18 de maio de 1910, Léon No Congresso Espírita Universal que
teve lugar em Denis foi convidado apenas como delegado da França e do Brasil.
Nesse Congresso, tratou-se especialmente de magnetismo, ciência psíquica e
psicose.


O Kardecismo foi deixado um pouco na penumbra, segundo Gaston Luce em
“Vida e Obra de Léon Denis”. Leon Denis tinha então sessenta e quatro anos; e
nesse Congresso ele pronunciou um dos mais notáveis discursos: A Missão do
Século XX.


Em 1913, foi a Sociedade de Estudos Psíquicos de Genebra que assumiu o encargo
de organizar o II Congresso Espírita Universal, sob presidência do Sr. Piguet,
assistido nessa função pelos Srs. Léon Denis e Gabriel Delanne.


Léon Denis constatava que a Ciência e a Filosofia, pouco a pouco assumiam alguns
conceitos espíritas. Quanto à ciência, ele critica que esta pretendia que os
fenômenos se repetissem à vontade, esquecidos de que no Espiritismo estamos
tratando de vontades livres.


Em 1925, de 06 a 13 de setembro, Léon Denis desempenhou os encargos da
presidência do III Congresso Espírita Internacional de Paris. Estavam presentes
o célebre escritor inglês Arthur Conan Doyle; o Sr. Jean Meyer, organizador do
espiritismo francês.


O foco principal do Congresso foi identificar o caráter
científico do Espiritismo Experimental. Léon Denis, aos oitenta anos, fixou os
pontos essenciais da Doutrina. O que ele considerava importante era o conceito
de que o Espiritismo baseia-se na experimentação científica. Parte dos efeitos
para remontar as causas, seguindo um rumo inverso ao da revelação religiosa.


Uma doutrina baseada na Ciência e Razão, se constituirá em fé universal,
substituindo assim a fé particular das religiões reveladas, concluiu Leon.



Pergunta Gaston Luce:


Sob que sinal se apresenta esta nova fé?


Responde Léon Denis:



“A fé espírita desemboca, com efeito, no amor, mas postula em primeiro lugar o
conhecimento da alma, do destino e de Deus. Não é somente fé, é um ensinamento,
é um critério que desafia a contradição”

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