HISTÓRIA

Joana D'Arc

Em 1412, nasceu em Domrémy, nos limites da província de Lorraine, uma menina chamada Joana. Seu pai, Jacques Darc, (mais tarde, equivocadamente escrito como d’Arc) tinha uma casa e um pedaço de terra e era pessoa de certa importância em sua aldeia, mesmo assim, a vida era difícil para a família Darc.
Não houve escola para Joana e nem seus irmãos, passavam a maior parte do tempo ajudando a família na fazenda. A pequena camponesa tinha uma peculiaridade, nunca se desviava daquilo que em seu coração acreditava ser o certo. Quando Joana fez 13 anos, essa característica tomou uma nova dimensão, foi nessa época que alegou escutar as primeiras vozes. Segundo relatos, a primeira aparição foi de São Miguel e vários anjos, o primeiro lhe dizia para ser uma boa menina e ir a igreja. São Miguel falava-lhe duas ou três vezes por semana, logo escutou Santa Catarina e Santa Margarete.
No início, as vozes davam recados bem genéricos, porém, quando Joana fez 16 anos, São Miguel trouxe-lhe uma mensagem mais específica é segundo relatos as vozes diziam para a camponesa ir ao reino da França, expulsar os ingleses e coroar o rei.
A camponesa se sentiu com remorso de ficar estática perante tal situação e resolveu cumprir o que as "vozes" lhe pediram. À caminho da França as "vozes" lhe disseram que precisaria do apoio de um certo senhor Robert de Braudicourt, um administrador que vivia em Vaucouleurs. Sua conversa com Robert de Braudicourt foi curta e a donzela acabou sendo levada de volta à seus pais, duvidou de seus relatos. Porém em 1428, espalhou-se a notícia de que os exércitos borgonheses preparavam-se para atacar Domrémy, e por tal motivo todos os moradores da aldeia não viram outra saída senão à partir de sua casa, rumo à uma cidade fortificada próxima. Quando eles voltaram à seus lares puderam observar a brutalidade dos borgonheses, e o que acontecera em Domrémy se repetia em toda França, em outubro os ingleses sitiaram Orléans, uma das cidades mais importantes ainda em controle da França. Decidida a tentar outra investida à Robert de Braudicourt partiu, sigilosamente em janeiro de 1429, para Vaucouleurs, dessa vez as vozes lhe disseram que ela deveria levantar o cerco de Orléans. A história de Joana se espalhou por todo o castelo real em Chinon e chegou aos ouvidos do delfim.
Robert de Braudicourt recebeu um mensageiro real, cujo lhe disse que Joana deveria comparecer ao delfim. A viajem à Chinon durou onze dias, os companheiros de viajem se impressionaram por suas façanhas militares apesar de freqüentar à missa em território inimigo. Nessa época Joana começou a se referir como donzela ( o significado nessa época era "serviçal"), considerava-se serviçal de Deus, de seu país e do rei. Ao chegar no castelo disse que reconheceria o rei, e foi o que fez, Carlos ficou admirado e isso o convenceu de que ela poderia ajudá-lo.
Ninguém sabe o que Joana disse à Carlos, porém os presentes disseram que parecia ter tido uma visão, ela mostrou ao delfim a necessidade de apressar-se recrutando-a para o serviço militar.
Porém os conselheiros de Carlos ressentidos com a influência que Joana conquistara em tão pouco tempo se sentiram oprimidos e tentaram convencer que as vozes dela não vinham de Deus e sim do Diabo. Assim, no meio de março foi enviada para a cidade de poitiers, afim de ser indagada pelos doutores da Igreja. Por mais que tentassem os eruditos de Poitiers não conseguiram argumento sólido para desacreditar Joana. As pessoas comuns a amavam por sua compaixão aos pobres e aos seus filhos e isso só lhe ajudava.
No meio de abril foi declarada "boa cristã e católica", quando a notícia chegou ao delfim, concedeu permissão à Joana seguisse para as cidades de Tours e Blois, localizadas próximas à Orléans, onde se prepararia.
Não era uma comandante comum, além de seu sexo e sua idade exigia educação dos seus soldados e presença nas missas diariamente.Tinha um estandarte especial em seu escudo, que continha uma imagem de Cristo flanqueado por dois anjos. Os soldados ao contrário dos comandantes de batalhões, sentiam-se entusiasmados com Joana, que lhes dava a moral que faltava para vencer os ingleses. Já os comandantes recusavam a reconhecer sua autoridade, e atacavam suas táticas de batalha. Os ingleses tinham construído sete fortalezas em volta da cidade de Orléans, os comandantes pretendiam deixar Joana de lado e usa-la apenas como mascote para animar a cidade sitiada.
Na manhã de 4 de maio, Joana foi acordada por uma grande agitação, as forças francesas haviam atacado o forte inglês de Saint Loup, e ela não fora informada, indignou-se pela desconfiança dos comandantes, rapidamente seguiu para a batalha e levou-os à vitória. Os franceses haviam conquistado o primeiro forte depois de muitos meses.
Ocorreu atrito mais uma vez entre a donzela e os comandantes quando eles se reuniram para organizar o próximo movimento sem sua presença, dessa vez disse-lhes o que pensava e acabou tendo sua vingança. No dia 6 de maio, preparada para a batalha, chamou os moradores de Orléans, embora o governador se recusasse à abrir os portões para Joana, a multidão logo destruiu os cadeados e seguiu sua líder. O segundo forte, Les Augustins fora seguramente construído e não era fácil de se atingir, mesmo assim ao anoitecer perderam a posição. Já estava sendo planejada a investida ao próximo forte, porém os comandantes contrariavam mais uma vez, pelo cansaço dos soldados, mesmo assim Joana não mudou de idéia. Les Tourelles era uma fortaleza muito bem protegida, por ter um fosso circundando-a, o que dificultava o ataque, grande número de mortes francesas e pouco progresso marcaram o início dessa batalha, onde Joana levou uma flechada no ombro, apenas se colocando de lado e voltando após quinze minutos, insistiu por mais uma tentativa, ergueu seu estandarte; os franceses recuperaram suas energias e engenhosidade, incendiaram uma ponte e os soldados ingleses que se encontravam em cima dela (inclusive seu líder, Glensdale ) caíram no Loire, afundando com suas armaduras que chegavam a pesar 20 quilos.
Joana estava sendo visto como uma santa, e pedidos de ajuda de nobres de toda Europa chegavam à donzela.
Os ingleses estavam amedrontados com a donzela, na carta que o governador inglês de Paris escreveu ao rei da Inglaterra referiu-se à Joana como "uma discípula e partidária do demônio", o que levou muitos ingleses convocados para lutar na França à covardia. Surpreendente foi a reação do delfim, em seu discurso mencionou a jovem camponesa no fim, dando todos os créditos aos seus comandantes e soldados, e quando ela o pressionou afim de leva-lo à coroação em Reims foi repreendida. Apesar disso, decidiu que se entregaria mais uma vez à ela, pois seu maior desejo era ser coroado. Antes que Carlos pudesse pôr-se à caminho, ainda havia grande parte do território na mão dos ingleses, Joana recebeu a missão de retirar os ingleses do caminho desde seu castelo, no vale do Loire até Reims.
Em pouco mais de uma semana os franceses já tinham obtido quatro vitórias espantosas, dois dos melhores comandantes ingleses, ( conde Suffolk e lorde Talbot ) foram feitos prisioneiros, e em uma batalha em Patey 3000 soldados foram aprisionados. Joana seguiu sempre na linha de frente com seus melhores soldados, porém quando chegou a hora de lidar com o duque de Borgonha Carlos decidiu-se intimidado pelo fato do duque de Borgonha, (Filipe o bom) ser seu primo, este, que era seu oposto, tinha paixão por mulheres e possuía ambição devastadora. O sentimento popular começou a se voltar para Carlos, mesmo por aqueles que viviam na região de seu primo, a hostilidade encontrada em território borgonhês foi quase nula.
No dia 15 de julho, Carlos entrou em Reims e houve uma grande cerimônia para a sua coroação legítima. Joana conseguira realizar a segunda tarefa estabelecida pelas "vozes". Para Carlos seu grande sonho de ser reconhecido como rei legitimo se tornava realidade, gozando de poder e prestígio prosseguiu com a campanha para recuperar o resto de seu reino. Joana começou a insistir ao rei para seguir para Paris, o apoio real foi mínimo, o rei cedeu uma tropa de apenas 400 homens para conquistar Paris. A fama da camponesa é enorme e os ingleses temem o prestígio do novo rei. Os ingleses dão uma resposta fulminante ao ataque, Carlos manda Joana evacuar o castelo de Compiègne que está cercado pelo duque de Borgonha, ela penetra no castelo e começa a proteger a retirada das tropas, quando quase todos já saíram a ponte do castelo foi fechada, Joana agora era prisioneira. Uma hipótese para sua prisão é que teria uma armadilha de La Trémouille juntamente com o duque de Borgonha, fosse ou não uma armadilha a verdade é que nada fez Carlos VII para libertá-la.
Houve um pedido para que a donzela fosse transferida ao inquisidor de Paris, afim de ser julgada como herege. Enquanto ocorriam as negociações para seu resgate, ficou aprisionada no castelo de Beaurevoir, no fim de novembro foi vendida aos ingleses por 10000 escudos, foi levada para Rouen, permanecendo em uma cela imunda no castelo do inglês de Rouen. Ao contrário das leis da Igreja que deixavam os prisioneiros em celas mais confortáveis e humanas que a prisão de qualquer governo.
O julgamento foi no dia 21 de fevereiro de 1431, começou com um juramento de sinceridade. O processo durou seis semanas, com três ou quatro horas de interrogatório, o meio de acusar a donzela definitivamente foi utilizar argumentos sobre ela ser completamente subordinada aos inquisidores, um simples " sim, mas sou mais subordinada à Deus" foi definitivo, pois "sim, mas" era resposta de herege. No início de abril, muitas das defesas de Joana foram distorcidas à favor dos inquisidores. Na primeira semana de Maio, a camponesa fora torturada e nada adiantou, continuava firme, os inquisidores ficaram cientes do medo da heroína de fogo, levaram na à um final questionamento, ao fim desde ouvia-se na multidão "fogo", isso levou a camponesa ao desespero e a assinar uma declaração de retratação, que a obrigaria a usar roupas de mulher e cumprir prisão perpétua, após isso, foi levada novamente à cela imunda que se encontrava horas atrás. No dia 30 de maio de 1431 a heroína é queimada, suas últimas palavras foram: " Eu os perdôo".
Joana d’Arc não só venceu a guerra, mas também ao coroar Carlos VII unificou a França, o que mais tarde incentivou o nacionalismo francês, dizendo que serviriam ao rei dos franceses.
É incrível como uma mulher ignorante, movida pela fé e pelo nacionalismo, sem preparo nenhum para guerra conseguiu numa época de tantos preconceitos conquistar todos esses feitos heróicos, eternizados pela sociedade.
Uma mulher tão forte foi traída e usada pelo próprio país, pelo qual lutou com bravura e determinação e não obteu seu conhecimento e respeito enquanto viva, sendo queimada pelos seus inimigos e não protegida por todos à quem tinha ajudado.

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